quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

.

I have no joys to remember,
to write down
or, for what is worth, in living.
I am not welcome anywhere I go.
My face does not resemble any country
or any person you might know,
and anyone who tells otherwise is probably lying.
No one knows I'm gone or present
My dog forgot my smell.
I may be standing alone
In a balcony at a cafe
and every atom in the universe pass through my body.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

.

I met you and my eyes met your entire body in two seconds. Can you believe that? I don't know if it changes anything, but I have autism. And I have never been more interested in anything such as you. I mean, is it normal to be SO interested like this?
You looked like the most shining object in the room. I like shining. I seek out shiny things. So of course I'd be attracted to you. I mean, man, look at your jet black hair. It shines. Why does it shine so much? What do you do with your hair? Just like that I spent all night looking at your hair and the different shades in different lights and its different shines.  I couldn't even speak. Your hair was too much to see, too much to play, too much to unravel. So what did you say? Yeah, sure, send me a message with the title, it must be an interesting podcast to listen to. Thanks for the tip. Maybe I should keep asking questions just to not be creepy for the fact that I'm still looking at your hair. Of course your answers mattered, but, you know, they didn't really mattered. I'd fall in love with you either way.  

I couldn't keep my hands out of your hair. 
I can still smell your hair.
Has anyone ever loved your hair as much as I do?

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Gravidade

Tão rápido as paredes e o chão se tornam notáveis
Cada cômodo cresce na minha percepção
E o mundo se resume a formas geométricas

Mas não é só isso

Áudio e vídeo perdem som e cor
Doces perdem seus açúcares
O dormir é desprovido de sonhos

Eu costumo dizer que a depressão é uma força gravitacional
Que faz pesar as pálpebras
Pressiona cada osso do meu corpo
E abraça meu coração tão forte que dói

E como força gravitacional,
Está no planeta inteiro
Envolve tudo
Comanda tudo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Estado

Aquela caixa está vazia
Aquela porta, fechada
Aquela casa, inabitável
Aquela pessoa, incapaz
Aquele coração, frio
Aquela respiração, cansada
Aqui dentro, nada.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Amorfo


Olhava para a folha em branco e de lá nada saia. Nenhuma história surgia nas pontas dos dedos do escritor e sua cabeça nada mais era do que um limbo branco e vazio, onde ele vagava pela dor de precisar e não conseguir escrever.

O bloqueio criativo o deixava deprimido, desde criança seus pais e professores o rotularam como escritor e o disseram que era a única coisa que ele conseguia fazer direito. Lembrava da noite passada, de quando seu pai o telefonou e o falou sobre a sua mente brilhante e o universo único que habitava em sua cabeça. “Por que você não escreve outro livro?”, o pai do escritor disse, e depois de horas e muito café a página ainda estava em branco.

O universo único de que seu pai lhe falara parecia ter sumido completamente e tudo que conseguia enxergar era um prédio que via pela janela e que ainda estava em construção. Imaginava o prédio anos à frente, ainda inacabado e habitado por pessoas que não tinham abrigo. Tentava imaginar a vida das pessoas lá, mas não conseguia imaginar o nome de nenhuma delas, nem seus rostos, nem suas cores. Pessoas sem face habitando um prédio velho que nunca fora acabado.

Depois que as pessoas sem face se estabeleceram no prédio inacabado, começaram a surgir grupos rivais, surgiam pessoas que se ajudavam, surgia sexo sem amor e crianças sem face que nasciam de noites de bebida e irresponsabilidade. “Talvez elas não tenham face porque o prédio não tem face”, pensou consigo mesmo e percebeu que o universo de que seu pai lhe falara nunca fora embora – sem nomes, sem rostos, inacabado, mas vívido com suas histórias de dor.

Eis que descubro, então, que durante o tempo todo o escritor sou eu.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sobre a primeira morte que chorei

Ainda são poucas as palavras que consigo escrever sobre a morte de David Bowie, mas é fato que nenhuma morte até hoje me desestabilizou tanto quanto a sua.
Como não sou critica musical, pouco posso falar sobre a sua trajetória na área além do que já foi escrito e destrinchado pela internet no dia de hoje.

Mas se me permitem o espaço para falar o que sinto, o que sinto é que Bowie é parte de mim.
Bowie me ensinou a gostar de mim mesma. De cada pedacinho, de cada esquisitice. Bowie me ensinou a ser quem eu quero, a fazer o que eu quero, porque esse é o caminho da felicidade para os espíritos livres. Bowie me fez sentir compreendida, me fez compreender que não estou sozinha. Acredito que muitos de nós já sentiram que mesmo sem nenhum contato, Bowie nos conhecia. Bowie me fez sentir parte do cosmos. Bowie me fez feliz. Bowie me ensinou coisas sobre o amor também. Bowie me inspirou.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Diário de um escritor fora de si

10 de novembro de 2015
 

Olá,
mais uma vez.

Pra você, viajante do tempo, que encontrou mais um de meus textos espalhados por arquivos digitais ou analógicos, de um tempo em que nem eu mesma me (re)lia.

Quantas vezes sentei aqui e disse pra mim mesma que começaria a escrever meu livro? Mas as palavras, em vez de serem escritas, voltam para dentro de mim. Apagadas e inseridas dentro de mim, em cada pedaço da minha estrutura química, lá estão escritas.

Também já mencionei a tantos amigos que estava escrevendo um livro, mas a verdade é que nenhuma das palavras do livro conseguiram sair de mim de verdade. É um processo contínuo de autoenganação ou como você prefira chamar. O livro, a essa altura, talvez nem exista mais. Eu não tenho mais controle algum sobre o livro.



11 de novembro de 2015

Mais um dia...

Tomei um clonazepam inteiro há meia hora. Observo um outro comprimido me encarando do outro lado da mesa e que, farejando a iminência de um ataque de ansiedade, vem se aproximando centímetro por centímetro até que minha mão esquerda o possa alcançar.

Não há cigarros pela casa. Talvez eu possa culpar minha possível próxima crise pela dependência de nicotina. Alguém acreditará em mim?

Sinto como se tivesse voltado à estaca zero no meu recente progresso emocional. Eu sei que a impressão que tenho não é mais que um momento de cegueira - talvez amanhã ou depois as coisas voltem ao normal.

Tenho trabalhado em alguns trabalhos encomendados, isso ocupa a minha a cabeça e me dá a falsa noção de que eventualmente terei dinheiro para fazer a maioria das coisas que sempre quis ter. What a fool.

Que sejam fechadas as portas! Que a vida venha e faça de mim o que quiser! Que me prive, que me maltrate! Há algum tempo comecei a aceitar que, eu não tenho controle algum da minha vida.



16 de novembro de 2015

Preciso mesmo cumprimentar o meu diário mais uma vez? É como dar bom dia para alguém que dormiu ao seu lado.

Essa montanha russa. Ao mesmo tempo que é libertador resolver pendências, encaixar todas as peças emocionais corretamente, é assustador. É sobrecarga e é paradoxal - enquanto esvazio as mágoas passadas ou recentes, sinto tudo mais uma vez antes de expelir. 

E nada posso esperar além de que da explosão surja uma nova e brilhante estrela.